Logo eu que nunca reparei no clima, percebi que clareou quando você chegou.
bm
Paulo Coelho quando disse que ausências causam esquecimentos, nunca tinha ouvido falar da gente.
bm
Eu acho que as pessoas se cansam de mim. Mas não por escolha delas, sim por afastamento meu.
bm
Eu quase não sei mais me expressar. Tudo que sei falar sobre é amar. Minha canalização psíquica anda concentrada em sentir demais e botar pra fora de menos. Inclusive, nem sei onde esse texto vai me levar, uma vez que simplesmente me deu desejo de pichar algumas frasezinha clichê no muro da minha vizinha da frente. Mas como isso não posso fazer, que eu piche os muros do meu próprio eu. Realmente queria conseguir falar poeticamente sobre uma pedra caindo naquele mar tão azul que até me dói o olho de tanta absorção de cor, ou então dizer que o vento que bate no norte é o mesmo que bate no sul, em algum contexto onde isso cairia bem. Mas as palavras só surgem quando o sentimento é amor. Não sei expressar outra coisa se não isso. Aquele ódio que antes eu podia comparar de forma lírica com algo tão absurdamente ridículo como bater o dedinho na quina da mesa, isso eu não sei mais. Não sei ainda se é falta de intelecto ou falta desse tipo de sentimento. Poeta só escreve aquilo que vive, pois devo viver apenas amor, devo ser metade amor e a outra metade mais amor. Aliás, devo até mesmo ter uma partezinha extra pra algum outro tipo de sentimento que eu ainda não entendi muito bem como habilitar no meu corpo. Devo ter excluído qualquer tipo de sentimento que não seja relacionado a amar alguém, como quando movo uma foto velha que caiu em desuso pra pasta da lixeira no meu computador. Minha criatividade e senso de escrita devem ter se juntado e se jogado como se pulasse de um trampolim pra fora de mim. Apesar de tudo, de não saber mais nem o que estou dizendo e muito menos o que tudo isso anteriormente citado significa, ainda sei citar um romance de John Green ou Nicholas Sparks com plena perfeição, e até mesmo entender o que as palavras que parecem mais confusas de serem compreendidas por qualquer outro significam. Mas também ainda consigo saber o que significa ser triste e sádico, e tudo o mais que envolve o ser.
um composto de amor e mais amor, sem nexo nem análise
A brisa matinal trás aqueles grãos minúsculos de areia pra dentro de casa, gruda nos móveis, nas roupas, em tudo. Mas aí chega aquele dia de limpar a casa. Claro, sobram um ou dois grãos. Ou mil. Talvez apenas um fique. E é isso, você é aquele grão insistente, que apesar de quantas vezes eu limpar minha camisa preferida, vai ficar ali, sempre. Por mais que eu feche as janelas e tranque as portas, sempre vai ter aquele vão por onde você vai passar pra invadir minha sala, e por mais esforços feitos, esse grão nunca vai sair. Eu nessa história toda sou a casa, aquela que pode ser invadida, suja, inundada, lotada de grãos de areia, mas que nunca vai se fechar, pois gosta do sopro da brisa, e gosta do efeito do vento, que passa por cada vão e dobradiça enferrujada que possui.
a casa da praia
Nunca fui a boa filha, ou a princesa da família, e muito menos aquela que leva o namorado nos jantares casuais de domingo. Aliás, sempre fui aquela que odiava rosa com todas as forças, e que queria ser a bruxa má do oeste na peça do colégio. Não soube crescer acompanhando o andar pobre e incerto da aspirantes a Cinderela. Sabe aquela que brincava de carrinho com os meninos? Ou então que se sujava na lama rolando com o cachorro? Essa era eu, na verdade, ainda sou. Não assumo esterótipos baratos de ser o sexo frágil ou não ter a força suficiente para impactar o redor. Sempre gostei de preto, por soar poeticamente forte, aliás, uma vez que este não se mistura com as cores ao redor, o que, particularmente, é uma definição escassa, já que ao fazer aquela mistureba de tintas da paleta, todas elas se transformam em preto. Digamos então que em meio as cores, eu sou aquele ponto preto (piadas à parte). Aquele que não adquire a cor dos outros, o que metaforicamente, se assemelha em muitos aspectos a mim. No contexto geral da coisa, admiro-me ser feito o preto do carvão, aquele que suja, mas acende a chama.
o preto
E toda enchente que transbordar a mente; enfrente.
BM
Lar é onde a gente se aconchega no pior sofá e sente um alívio de sentir a madeira encostando em cada um dos ossos das costas. Lar é onde a gente chega e notam sua presença, e quando a gente sai, notam a sua ausência. Lar é onde tem de tudo, mas ao mesmo tempo falta algo. Lar é aquela pontadinha de saudade do chuveiro na temperatura que a gente gosta. Lar é aquele calor sem aquecedor. Lar é onde a gente quer estar a todo o tempo, e quando não quer mais, percebe que faz falta. Lar é aquilo que fica de quem se foi. Lar é onde a gente ama, e leva o amor pra dentro, bota debaixo da coberta e assiste filme na tv da sala até pegar no sono. Lar é onde o amor é recíproco.
BM
Sou a constante e não adquirida forma de ser, parecer e pensar, continuo em mudança, algo solene, reconfortante, mas também encorajador. Chovia no dia em que nasci, por isso meus exageros e minha tempestades sem fim. Gosto do que sou, mas gosto mais ainda do que não sou. Meu futuro me aguarda, ansioso por um alguém que já tenha se formado em si mesmo, e saiba seus limites. Mas gosto de ser isso tudo. Gosto de ser meu nada. Gosto de ser esse mundaréu de confusão e aberração, e ao mesmo tempo, ser um nada lotado de branquidão.
Sou eu, mas e eu, sou o que mesmo?
Seja as lágrimas da saudade de alguém, seja o riso incansável de uma visita inesperada, seja a tristeza da partida, mas também a alegria da vinda. Seja. Apesar de tudo, por tudo. Seja amor.
Seja. BM